"O curso é bem prático, tem uma parte reflexiva com contextualização
dos marcos regulatórios e oferece noções de direito e deveres online,
com dados das pesquisas nacionais e sugestão de atividades para os
professores", diz Rodrigo Nejm, Diretor de Educação da SaferNet. A
organização tem uma experiência relevante na aplicação de cursos
presenciais, que aconteceram nas 27 capitais e atingiram professores de
380 municípios. A decisão de montar um curso à distância veio justamente
dessa lacuna de levar esse conhecimento a mais educadores.
"Nós
queremos desmistificar a ideia de que esse é um assunto exclusivo de
professor de informática", diz Rodrigo. Ele reforça, ainda, que o fato
de crianças e adolescentes fazerem uso extensivo da internet não
significa que têm conhecimento das noções de segurança ou estão
preparados para lidar com questões, como ciberbullyingl O mesmo se
aplica aos professores. "No curso, o educador vai focar naquilo que ele
tem como compromisso", adianta. "Um professor de Língua Portuguesa pode
usar um texto em aula para falar do assunto, puxando pela compreensão e
oralidade, por exemplo".
Enquanto as secretarias não batem o martelo, a SaferNet oferece cursos presenciais. Há quatro turmas previstas este ano para São Paulo, sendo a primeira data em 27 de março e as outras ainda sem data estipulada em maio, agosto e outubro.
A
SaferNet possui um canal para receber denúncias. Em 2017, a Central
Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos registrou muitas denúncias
relacionadas a discurso de ódio – 63% do total. O racismo corresponde a
quase um terço dos conteúdos denunciados. O levantamento mostrou também
que 69% das vítimas que procuram ajuda por bullying, perseguição e
ameaças são mulheres.
Nos casos repassados ao Canal de Ajuda da
SaferNet Brasil, o relatório apontou que a maior demanda em 2017 foi
sobre ciberbullying/ofensa, com 359 casos reportados. Houve registro de
299 casos com problemas com dados pessoais, 298 casos envolvendo
sexting/vazamento de nudes, 140 relatos de fraudes/golpes e 116
ocorrências de conteúdo violento.
Nas escolas
O
levantamento realizado pela SaferNet com educadores de escolas públicas
e privadas dos estados de São Paulo, Minas Gerais, da Bahia e do Paraná
mostrou que questões como vazamento não-consensual de imagens íntimas,
humilhação e ciberbullying tornaram-se comuns no ambiente escolar. Na
pesquisa, os entrevistados responderam se tinham conhecimento de casos.
Pelo menos 51% dos respondentes afirmou ter conhecimento de algum
educador conhecido ter sido humilhado, agredido ou chantageado pela
internet. Houve registro de 8% com problemas de fotos, vídeos ou
mensagens íntimas expostas sem sua permissão na rede. E 9% sofreram
humilhação, piadas violentas com vídeos e/ou mensagens de difamação.
Na
mesma pesquisa, 76% relataram casos ciberbullying nos locais onde
trabalham, enquanto 26% afirmaram desconhecer a Lei 13.185/2015, que
trata da obrigatoriedade de ações de enfrentamento ao bullying e ao
ciberbullying nas escolas. Outros 56% tiveram conhecimento de casos de
vazamentos de nudes de alunos em suas instituições e 60% consideram que
ainda têm dificuldade em encontrar materiais para trabalhar esses temas
com os alunos. Do total, 70% se disseram a favor de manter esse tema
como transversal nas diferentes disciplinas em vez de ser uma disciplina
específica.
Segurança na internet
Para
promover a segurança na internet, grandes empresas de tecnologia estão
lançando guia e divulgando dicas para os internautas.
A Microsoft
divulgou os dados de uma pesquisa sobre segurança na internet, em que
destaca o aumento de casos de ciberbullying e discursos de ódio. A
empresa também chamou atenção para o risco de fraude on-line e
“comportamentos invasivos”, como os ataques à dignidade das pessoas. No
Brasil, os maiores riscos são por contatos não solicitados, solicitações
de cunho sexual, fraudes e falsidade. O levantamento considerou dados
de 23 países.
O Google lançou um guia com instruções para evitar
invasões de sistemas e a proteção de dispositivos. Entre as dicas estão a
criação de senhas “eficazes”, que evitem o uso de informações óbvias ou
combinações simples, além de adotar senhas diferentes para acessos em
várias contas.
No Brasil, o projeto Internet Segura oferece um guia sobre como navegar com segurança. A seguir, confira as principais dicas para segurança na internet.
Redes sociaisSegundo
educadores, a solução não é proibir o acesso à internet, mas orientar
para fazer o uso seguro. Considerando que muitas crianças burlam a
restrição de idade mínima de 13 anos (muitas vezes com consentimento dos
pais), criando perfis com data de nascimento falsa, o mais indicado é
acompanhar a atividade e dialogar sobre os riscos da internet com os
alunos, sem criar medo.
– Esteja atento à postagem excessiva de
fotos, vídeos e lugares que dão a indicação precisa de hábitos e
assiduidade dos alunos. Explique a sua turma que embora seja divertido,
esse tipo de postagem indica muito facilmente como encontrar as pessoas.
Por exemplo: fotos em portão de escola na saída ou entrada, com
indicação da localização exata, devem ser evitados.
- Se os
alunos utilizam recursos on-line em sala de aula, o professor deve estar
atento a possíveis conversas mantidas com estranhos, já que criminosos
se passam por crianças ou adolescentes para se aproximar deles
-
Esteja atento a alterações súbitas de comportamento de algum aluno, pois
isso pode indicar que esteja sendo vítima de bullying. Reforce que o
respeito é parte essencial da formação e todos merecem ser tratados
dessa forma.
AplicativosOs aplicativos
(apps) estão disponíveis nas lojas das plataformas e muitos podem ser
baixados gratuitamente. O WhatsApp é o aplicativo mais usado para troca
de mensagens – e também o mais usado por criminosos para aplicar golpes.
Oriente
os alunos a não clicar em links que oferecem prêmios, vantagens ou
mesmo supostos vídeos engraçados, sem saber quem enviou. E, ainda assim,
é melhor confirmar com o amigo, antes de clicar.
Os aplicativos de mensagem também são usados para proliferar vírus, que podem roubar informações pessoais e fotos.
Notícias falsas
Para
atrair a atenção dos internautas e lucrar com anúncios, muitos sites
veiculam informações não verificadas – boa parte delas notícias falsas,
as chamadas “fake news”. Explique aos alunos que não devem compartilhar
informações que não tenham vindo de fontes verificadas, como sites de
jornais e revistas. Muitas notícias falsas tentam disseminar a
violência, o medo e comportamentos que podem levar ao bullying.
Deixe claro, ainda, que não se deve compartilhar fotos, vídeos e mensagens de violência.
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