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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Educação e Sociedade
 
Educação e sociedade estão por causas e consequências ligadas. Pois, uma é dependente da outra. Por essa e outras questões é importante que o ser humano esteja ciente do assunto abordado neste trabalho. Levando-se em consideração as contribuições que uma passa para a seguinte, as transformações que ocorrem na sociedade e o papel da escola no desenvolvimento destas. E o que elas influenciam em nossas vidas.  

sexta-feira, 8 de abril de 2016

A AVALIAÇÃO ESCOLAR E SEUS ASPECTOS


A avaliação é parte integrante do processo ensino/aprendizagem e ganhou na atualidade espaço muito amplo nos processos de ensino. Por outro lado, necessita de preparo técnico e grande capacidade de observação dos profissionais envolvidos no mesmo. Segundo Perrenoud (1999),
“a avaliação da aprendizagem, no novo paradigma, é um processo mediador na construção do currículo e se encontra intimamente relacionada à gestão da aprendizagem dos alunos. Na avaliação da aprendizagem, o professor não deve permitir que os resultados das provas periódicas, geralmente de caráter classificatório, sejam supervalorizados em detrimento de suas observações diárias, de caráter diagnóstico.

O professor, que trabalha numa didática interativa, observa gradativamente a participação e produtividade do aluno, contudo é preciso deixar bem claro que a prova é somente uma formalidade do sistema escolar e não ser simplesmente usada como avaliação. Desse modo, entendemos que a avaliação não se dá nem se dará num vazio conceitual, mas sim dimensionada por um modelo teórico de mundo e de educação, traduzido em prática pedagógica. (LUCKESI, 1995, p. 28).

O reconhecimento das diferentes trajetórias de vida dos educandos implica flexibilizar das formas de ensinar e avaliar, ou seja, contextualizar e recriar  metodologia aplicada. Segundo Luckesi (1995), a avaliação tem sua origem na escola moderna com a prática de provas e exames que se sistematizou a partir do século XVI e XVII, com a cristalização da sociedade burguesa.

A prática de avaliação da aprendizagem que vem sendo desenvolvida nas nossas instituições de ensino não tem sido utilizada como elemento que auxilie no processo ensino/aprendizagem, perdendo-se em mensurar e quantificar o saber, deixando de identificar e estimular os potenciais individuais e coletivos.

A avaliação do rendimento do aluno, isto é, do processo ensino-aprendizagem, tem sido uma preocupação constante dos professores até os dias atuais com a Era da Informação. Em primeiro lugar, porque faz parte do trabalho docente verificar e julgar o rendimento dos alunos, avaliando os resultados do ensino, mas cabe ao professor reconhecer as diferenças na capacidade de aprender dos alunos, para poder ajudá-los a superar suas dificuldades e avançar na aprendizagem.

O ensino no processo propicia a apropriação da cultura e da ciência, do desenvolvimento do pensamento, e da construção da intelectualidade por meio da formação e operação com conceitos.  De acordo com Claudinho Pilleti (2006) os princípios básicos que dão sustentáculo ao processo ensino-aprendizagem são: a) Estabelecer o que será avaliado, pois educar tem em vistos vários objetivos que permitem o desenvolvimento do indivíduo como um todo, envolvendo aspectos de aproveitamento (domínio cognitivo, afetivo, psicomotor), a inteligência, o desenvolvimento sócio-emocional do aluno, enfim, avaliar o que os alunos sabem e como pensam a respeito de determinado assunto; b) Selecionar as técnicas adequadas para avaliar, uma vez que a avaliação reflete tanto sobre o nível do trabalho do professor quanto na aprendizagem do aluno; c) Utilizar uma variedade de técnicas faz-se necessário, pois a verificação e a quantificação dos resultados de aprendizagem no processo completo, visa sempre diagnosticar e superar dificuldades, corrigindo falhas e estimulando os alunos aos estudos; d) Ver a avaliação como uma parte do processo ensino-aprendizagem, isto é, como um meio de diagnosticar o desempenho/a aprendizagem dos alunos.

Segundo Vasconcelos (2005) deve-se distinguir avaliação de nota, a avaliação é um processo que precisa de uma reflexão crítica sobre a prática, podendo desta forma verificar os avanços e dificuldades e o que se fazer para superar esses obstáculos. A nota seja na forma de número ou conceitos é uma exigência do sistema educacional.

Portanto, segundo SANTOS (2005, p. 23), avaliação é algo bem mais complexo do que apenas atribuir notas sobre um teste ou prova que se faz, ela deve estar inserida ao processo de aprendizagem do aluno, para saber os tipos de avaliações que devem ser praticadas dizemos que podem ser:

        I.            Formativa: tem como objetivo verificar se tudo aquilo que foi proposto pelo professor em relação aos conteúdos estão sendo atingidos durante todo o processo de ensino aprendizagem;
      II.            Cumulativa: neste tipo de avaliação permite reter tudo aquilo que se vai aprendendo no decorrer das aulas e o professor pode estar acompanhando o aluno dia a dia, e usar quando necessário;
    III.            Diagnóstica: auxilia o professor a detectar ou fazer uma sondagem naquilo que se aprendeu ou não, e assim retomar os conteúdos que o aluno não conseguiu aprender, replanejando suas ações suprindo as necessidades e atingindo os objetivos propostos;
    IV.            Somativa: tem o propósito de atribuir notas e conceitos para o aluno ser promovido ou não de uma classe para outra, ou de um curso para outro, normalmente realizada durante o bimestre;
    V.        Auto-avaliação: pode ser realizada tanto pelo aluno quanto pelo professor, para se ter consciência do que se aprendeu ou se ensinou e assim melhorar a aprendizagem. Em grupo: é a avaliação dos trabalhos que os alunos realizaram, onde se verifica as atividades, o rendimento e a aprendizagem.

A partir desta análise, a avaliação constitui-se em um momento reflexivo sobre teoria e prática no processo ensino-aprendizagem. Ao avaliar, o professor estará constatando as condições de aprendizagem dos alunos, para, a partir daí, prover meios para sua recuperação, e não para sua exclusão, se considerar a avaliação um processo e não um fim. 

Considerando-se parte mais importante de todo o processo de ensino-aprendizagem. Bevenutti (2002) diz que avaliar é mediar o processo ensino/aprendizagem, é oferecer recuperação imediata, é promover cada ser humano, é vibrar junto a cada aluno em seus lentos ou rápidos progressos. 

OS INSTRUMENTOS UTILIZADOS NA AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM

Os instrumentos de avaliação de aprendizagem devem ser largamente utilizados ao longo do período letivo. Esses instrumentos de avaliação devem permitir ao professor colher informações sobre a capacidade de aprendizado dos alunos, medida, em especial, pela competência dos mesmos para resolver problemas e instrumentalizar o conhecimento para a tomada de decisões.
Cabe ao professor da disciplina, definir os instrumentos que serão utilizados para melhor acompanhar o processo de aprendizado de seus alunos.
Não existem instrumentos específicos de avaliação capazes de detectar a totalidade do desenvolvimento e aprendizagem dos alunos. É diante da limitação que cada instrumento de avaliação comporta que se faz necessário pensar em instrumentos diversos e mais adequados com suas finalidades, para que dêem conta, juntos, da complexibilidade do processo de aprender.

Segue alguns exemplos de instrumentos de avaliação.


1. OBSERVAÇÃO


O ato de observar é uma característica própria e é através dele que informamos sobre o contexto em que estamos, para nele nos situarmos de forma satisfatória de acordo com normas e valores dominantes.

Aspectos Negativos:

É um instrumento de pouca utilização de registro e de falta de sistematização, os dados colhidos, muitas vezes, se perdem ou não são utilizados de forma produtiva para refletirem sobre a prática pedagógica e o desenvolvimento dos alunos.



Aspectos Positivos

Através da observação, os educadores podem conhecer melhor os alunos, analisar seu desempenho nas atividades em sala de aula e compreender seus avanços e dificuldades. Ao mesmo tempo, os alunos poderão tomar consciência dos processos vividos pelo grupo.

A observação exige do professor:

Eleger o objeto de investigação ( um aluno, uma dupla, um grupo etc);
Elaborar objetivos claros (descobrir dúvidas, avanços etc);
Identificar contextos e momentos específicos (durante a aula, no recreio etc);
Estabelecer formas de registros apropriados ( vídeos, anotações etc).

Indicações

Observações em atividades livres, no recreio, individuais, etc.


2. REGISTRO / FICHAS

Tem como função acompanhar o processo educativo vivido por alunos e professores, é através dele que se torna possível realizar uma análise crítica e reflexiva do processo de avaliação.

Aspectos Positivos:

Contribui para que os dados significativos da prática de trabalho não se percam. Alguns recursos podem ser utilizados, são eles:

1. Caderno de campo do professor: registro de aulas expositivas, anotações em sala de aula, projetos, relatos, debates, etc.
2. Caderno de Anotações para cada grupo de alunos: anotações periódicas sobre acontecimentos significativos do cotidiano escolar.
3. Diário do aluno: registro de caráter subjetivo ou objetivo que aluno e professores fazem espontaneamente.
4. Arquivo de atividades: coleta de exercícios e produções dos alunos, datadas e com algumas observações rápidas do professor. Esse arquivo serve como referência histórica do desenvolvimento do grupo.

Indicações:

Permite aos educadores perceberem e analisarem ações e acontecimentos, muitas vezes despercebidos no cotidiano escolar.


3. DEBATE

O debate nos permite nas situações de interação, trocar idéias com as pessoas, compreender as idéias do outro, relacioná – las e ampliar conhecimentos sobre o tema ou assunto discutido.

Aspectos positivos

Favorável para que alunos e professores incorporem conhecimentos, exige que se expressem com suas próprias palavras, exemplifiquem e estabeleçam relações com outros conhecimentos, pois o aluno expõe à turma sua forma de compreender o tema em questão.


4. AUTO - AVALIAÇÃO

Aspectos Positivos

É uma atividade de reflexão fundamental na aprendizagem, que visa levantar:
- o caminho percorrido pelo aluno para às sua respostas e resultados;
- as evidências de que conseguiu aprender;
- as evidências das dificuldades que ainda enfrenta e, a partir delas, o reconhecimento das superações que precisam ser conquistadas.

Indicações

Incentivar a consciência crítica dos alunos, em relação aos modos de agir que utilizam frente às tarefas que lhes são propostas.


5. TRABALHO EM GRUPO

É todo tipo de produção realizada em parceria pelos alunos, sempre orientadas pelo professor.

Aspectos positivos:

Estimula os alunos à cooperação e realização de ações conjuntas, propiciam um espaço para compartilhar, confrontar e negociar idéias. É necessário que haja uma dinâmica interna das relações sociais, mediada pelo conhecimento, potencializado por uma situação problematizadora, que leve o grupo a colher informações, explicar suas idéias, saber expressar seus argumentos.

Permite um conhecimento maior sobre as possibilidades de verbalização e ação dos alunos em relação às atividades propostas.

É necessário considerar as condições de produção em que se derão: o tempo de realização, o nível de envolvimento e de compromisso dos alunos, os tipos de orientações dadas, as fontes de informação e recursos materiais utilizados.


6. PARTICIPAÇÃO EM SALA DE AULA

Trata – se de analisar o desempenho do aluno em fatos do cotidiano da sala de aula ou em situações planejadas.

Aspectos Positivos:

Permite que o professor perceba como o aluno constrói o conhecimento, já que é possível acompanhar de perto todos os passos desse processo. É necessário que o professor faça anotações no momento em que os fatos a serem considerados ocorrem, ou logo em seguida, para que sejam evitadas as generalizações e os julgamentos com critérios subjetivos. Habilita o professor a elaborar intervenções específicas para cada caso e sempre que julgar necessário.

7. SEMINÁRIO

É a exposição oral que permite a comunicação das informações pesquisadas de forma eficaz, utilizando material de apoio adequado.

Aspectos Positivos:

Contribui para a aprendizagem tanto do ouvinte como do expositor, pois exige desta pesquisa, planejamento e organização das informações, além de desenvolver a capacidade de expressão em público.

Aspectos Negativos:

Às vezes, alguns professores utilizam de comparações nas apresentações entre o inibido e o desinibido.




7. PORTFÓLIO

Volume que reúne todos os trabalhos produzidos pelo aluno durante o período letivo. Presta – se tanto para a avaliação final como para a avaliação do processo de aprendizagem do aluno.

Aspecto positivo:

Evidencia as qualidades do estudante, registra seus esforços, seus progressos, o nível de raciocínio lógico atingido e, portanto, seu desempenho na disciplina. Também ensina ao aluno a organização.

Tem finalidade de auxiliar o educando desenvolver a capacidade de refletir e avaliar seu próprio trabalho.

8. PROVA DISSERTATIVA

Caracteriza – se por apresentar uma série de perguntas (ou problemas, ou temas, no caso da redação), que exijam capacidade de estabelecer relações, de resumir, analisar e julgar.

Aspectos Positivos

Avalia a capacidade de analisar um problema central, abstrair fatos, formular idéias e redigi – las: permite que o aluno exponha seus pensamentos, mostrando habilidades organização, interpretação e expressão.


9. PROVA COM CONSULTA

Apresenta características semelhantes às provas dissertativas, diferenciando – se pelo fato de o aluno pode consultar livros ou apontamentos para responder.

Aspectos Positivos:

Se bem elaborada, pode permitir que o aluno demonstre não apenas o seu conhecimento sobre o conteúdo objeto da avaliação, mas ainda, a sua capacidade de pesquisa, de buscar a resposta correta e relevante.

10. PROVA OBJETIVA

Caracteriza –se uma série de perguntas diretas para respostas curtas, com apenas uma solução possível ou em que o aluno tenha que avaliar proposições, julgando –as verdadeiras ou falsas.

Aspectos Negativos

Favorece a memorização e sua análise não permite constatar, com boa margem de acerto, quanto o aluno adquiriu em termos de conhecimento.

11. PROVA ORAL

Situação em que os alunos, expõem individualmente seus pontos de vista sobre pontos do conteúdo ou resolvem problemas em contato direto com o professor. Bastante útil para desenvolver a oralidade e a habilidade de argumentação.

EMÍLIA FERREIRO E SUA TEORIA DA APRENDIZAGEM

As formas tradicionais de alfabetização inicial consistem em um método no qual o professor transmite seus conhecimentos aos seus alunos. Porém, muitos desses não estão capacitados para compreender algumas dificuldades que a criança enfrenta antes de entender o verdadeiro sentido da leitura e escrita.
As primeiras escritas feitas pelas crianças no início da aprendizagem devem ser consideradas como produções de grande valor, porque de alguma forma seus esforços foram colocados no papel representando algo.
Na aprendizagem inicial as práticas utilizadas são muitas vezes, baseadas na junção de sílabas simples memorização de sons e copias. Fazendo com que a criança se torne um espectador passivo ou receptor mecânico. Não participando do processo de construção do conhecimento.

Método de Ensino Emilia Ferreiro

Nos últimos 20 anos nenhum nome teve tanta influência sobre a educação brasileira como o da psicolingüista Emília Ferreiro. 
Emília Ferreiro nasceu na Argentina em 1936. Doutorou-se na Universidade de Genebra, sob orientação do biólogo Jean Piaget, cujo trabalho é epistemologia genética (desenvolvimento natural da criança). Em 1974 Emília desenvolveu na Universidade de Buenos Aires uma série de experimentos com crianças, que deu origem em Psicogênese da Língua Escrita, com parceria com a pedagoga espanhola Ana Teberosky , publicado em 1979.
Das obras de Emília a mais importante foi – Psicogênese da Língua Escrita – não apresenta nenhum método pedagógico, mas revela os processos de aprendizagem da criança, levando a entender que puseram em questão os métodos tradicionais de ensino da leitura e da escrita.
Emília Ferreiro tornou-se referência para o ensino brasileiro e seu nome passou a ser ligado ao construtivismo, modo em que a criança aprende. Emília chegou à conclusão de que as crianças têm um papel ativo de aprendizagem. Elas constroem seu próprio conhecimento.
Segundo Emília Ferreiro, a construção do conhecimento da leitura e da escrita tem uma lógica individual, na escola ou fora dela. No processo de aprendizagem a criança passa por etapas com avanços e recuos, até dominar o código lingüístico. O tempo para o aluno transpor cada uma das etapas é bem variado. Duas conseqüências importantes a ser respeitada em sala de aula é respeitar a evolução de cada criança e compreender que o desempenho mais vagaroso não significa que a mesma seja menos inteligente. A aprendizagem não é provocada pela escola, mas pela própria mente das crianças, elas chegam a seu primeiro dia de aula com conhecimento.
O processo inicial é considerado em função da relação entre método utilizado e o estado de maturidade ou de prontidão da criança. As dificuldades que a criança enfrenta, são dificuldades conceituadas a respeito da construção do sistema e pode-se dizer que as crianças reinventam esse sistema. Não é reinventar as letras ou números, mas compreende-se o processo de construção e suas regras de produção.
De acordo com a teoria exposta em Psicogênese da Língua Escrita, toda criança passa por quatro fases até sua alfabetização:
  • pré-silábica: não consegue relacionar as letras com os sons da língua falada;
  • silábica: interpreta de sua maneira, atribuindo valor a cada sílaba;
  • silábico-alfabética: mistura a lógica da fase anterior com a identificação de cada silaba;
  • alfabética: domina o valor das letras e sílabas.
O processo de conhecimento da criança deve ser gradual dependendo de sua assimilação e de uma re-acomodação dos esquemas internos, que necessariamente levam tempo. É por utilizar esse sistema e não repetir o que ouvem, que as crianças interpretam o ensino que recebem. Nada mais revelador do funcionamento da mente de um aluno do que seus supostos erros, porque evidenciam como ele releu o conteúdo aprendido.
Emília Ferreiro critica a alfabetização tradicional, porque a prontidão das crianças para o aprendizado da leitura e da escrita por meio de avaliação de percepção e de motricidade (coordenação). O peso para o aspecto externo da escrita é excessivo, deixando de lado suas características como a compreensão da escrita e sua organização. Seguindo esse raciocínio o contato da criança com a organização da escrita é adiado para quando ela for capaz de ler as palavras isoladas, embora a relação com os textos inteiros sejam enriquecida. Portanto a alfabetização também é uma forma de se apropriar das funções sociais da escrita.
Segundo Emilia Ferreiro (1996, p.24) “O desenvolvimento da alfabetização ocorre, sem dúvida, em um ambiente social. Mas as práticas sociais assim como as informações sociais, não são recebidas passivamente pelas crianças.”
Atualmente, os professores definem o processo de alfabetização como sinônimo de uma técnica. Entretanto no processo de alfabetização inicial, nem sempre esses critérios são utilizados. Os professores ensinam da mesma maneira como aprenderam quando eram alunos, e não aceitam os erros que seus alunos cometem.
A autora defende, que de todos os grupos as crianças são as mais fáceis de alfabetizar e estão em processo continuo de aprendizagem, enquanto os adultos já têm formas de conhecimento mais difíceis de modificar, ressalta.
Tradicionalmente, as decisões a respeito da prática alfabetizadora têm como foco a polêmica sobre os métodos utilizados. A metodologia normalmente utilizada pelos professores parte daquilo que é mais simples, passando para os mais complexos.
Para Ferreiro & Teberosky (1985, p.18) a preocupação dos educadores tem-se voltado para a busca do melhor ou do mais eficaz dos métodos, levando a uma polêmica entre dois tipos fundamentais: método sintético e método analítico.
O método sintético preserva a correspondência entre o oral e o escrito, entre som e a grafia. O que se destaca é o processo que consiste em partir das partes do todo, sendo as letras os elementos mínimos da escrita. O método analítico insiste no reconhecimento global das palavras ou orações.
Então para Emília Ferreiro, o que seria correto é interrogar, ”através de que tipo de prática a criança é introduzida na linguagem escrita, e como se apresenta esse objeto no contexto escolar” (1985, p.30).
Existem práticas que levam a criança à convicção de que o conhecimento é algo que os outros possuem e que só se pode adquirir da boca destes, deixando assim, de ser participante da construção. Algumas práticas levam a pensar que o que existe para conhecer já foi estabelecido, como um conjunto de coisas que não serão modificados. Algumas práticas fazem com que a criança, fique sem a prática do conhecimento, como receptor daquilo que o professor ensina.
Ainda para Ferreiro ”nenhuma prática pedagógica é neutra. Todas estão apoiadas em certo modo de conceber o processo de aprendizagem e o objeto dessa aprendizagem” (1985,p.31). Então para que o professor seja eficaz deverá adaptar seu ponto de vista ao da criança.

Conclusão

Foi possível compreender que as dificuldades e fracassos nas séries iniciais na aprendizagem da leitura e escrita constituem um problema que nenhum método conseguiu solucionar.
Tendo como base a teoria psicológica e epistemológica de Piaget, a pesquisadora mostra que a criança constrói seus sistemas interpretativos.
Porem é necessário que o professor considere as escritas do ponto de vista construtivo, considerando a evolução de cada criança, é preciso que haja uma reestruturação interna na escola com relação à alfabetização e também no que se refere às formas de alfabetizar.

Fonte: https://psicologado.com/atuacao/psicologia-escolar/psicologia-da-aprendizagem-metodo-de-ensino-emilia-ferreiro

TEORIAS SOBRE A APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS


TEORIAS DE ENSINO E APRENDIZAGEM : PIAGET -VIGOTSKY E SKINNER

Teorias de ensino e aprendizagem:  PIAGET-VIGOTSKY E SKINNER
O que pregam as principais correntes de pensamento na educação
Por que uma mãe ou um pai que não são do ramo deveriam entender sobre teorias de ensino e aprendizagem? Não é obrigação, mas ter uma noção do que cada corrente prega e do tipo de resultado que pretende alcançar pode ajudar – e muito – na hora de escolher uma escola. A vida do seu filho, no mínimo, ficará mais coerente se o colégio praticar uma linha que agrada aos pais. Com informações sobre as principais teorias de ensino e aprendizagem, você também pode interpretar melhor o que um diretor ou orientador de escola diz na hora da entrevista e terá mais elementos para avaliar o colégio. Mas é preciso algum cuidado. “As teorias de ensino e aprendizagem são modelos, abstrações. Mas a prática não é uma simples reprodução de teorias. Esses modelos orientam, indicam um caminho, mas muitas escolas pautam sua atuação sem se ater a um único modelo”, diz a lingüista Fernanda Liberali, professora doutora no Programa de Pós-Graduação em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem da PUC/SP e consultora de várias escolas
COMPORTAMENTALISMO

Quem foi o pai da idéia:

O psicólogo norte-americano Burrhus Frederic Skinner
(1904-1990)
O que diz:
Que é possível modelar o indivíduo, condicionando seus comportamentos. Para tanto, devem-se utilizar os estímulos
e reforços adequados. Segundo Skinner, todo comportamento é determinado pelo ambiente, mesmo que a relação
do indivíduo com esse ambiente não seja passiva, e sim de interação. Ou seja, um professor pode definir que resultado pretende alcançar com seus alunos e oferecer-lhes os estímulos e recompensas adequados à medida que os alunos Avançam, para levá-los ao resultado previsto. “No condicionamento operante, um mecanismo é fortalecido no sentido de tornar uma resposta mais provável, ou melhor, mais freqüente”, escreveu o cientista.
Uma frase:
“Todo comportamento é determinado pelo ambiente.”

Palavra-chave:

Estímulo-resposta.

Onde está o foco:

Nos conteúdos a serem transmitidos e no professor.
Qual é o papel do professor:
O professor, ou até o livro didático, em alguns casos, é a autoridade máxima, detentora de todo o conhecimento. O aluno é o aprendiz que deve absorver esse conhecimento – quanto mais, melhor.

Como se aprende:

Por memorização e repetição. Sabe aquelas aulas de inglês em que a professora dizia: “Children, repeat after me…”?

Como se introduz um novo conceito:

O professor faz um planejamento e apresenta os conceitos. Algo do gênero: “Crianças, hoje vamos estudar as equações de segundo grau”.
Quais são os reflexos na sala de aula:
Muitas vezes os alunos são divididos em turmas de “mais fortes” e “mais fracos”. As aulas, em geral, são expositivas,
com o professor falando e a turma, de preferência, quieta. Erros são corrigidos imediatamente e recorre-se à repetição para que o aluno aprenda. O professor raramente se desvia do seu planejamento e os conhecimentos prévios ou vivências do aluno não são levados em consideração.
Que tipo de indivíduo espera-se formar:
Pessoas com um vasto saber enciclopédico. Indivíduos focados no trabalho, que correspondem às demandas e se ajustam bem aos ambientes.
CONSTRUTIVISMO

Quem foi o pai da idéia:

O biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980). Outros pensadores seguiram seus passos, como a argentina Emília Ferreiro, que estudou o modo como as crianças adquirem a leitura e a escrita.

O que diz:

Piaget acredita que a capacidade de raciocínio não depende nem do ambiente nem de um fator hereditário. Segundo ele, o pensamento infantil passa por quatro estágios, desde o nascimento até o início da adolescência, quando a capacidade plena de raciocínio é atingida. Assim, o conhecimento vai sendo construído pela criança a partir de suas descobertas, quando em contato com o mundo e com os objetos. Por isso, não adianta ensinar a um aluno algo que ele ainda não tem condições intelectuais de absorver. Ou seja, o trabalho de educar não deve se limitar a transmitir conteúdos, mas a favorecer a atividade mental do aluno. Ele acredita que a criança só se interessa por conteúdos que lhe fazem falta em termos cognitivos. Por isso, educar, para Piaget, é “provocar a atividade” – isto é, estimular a procura do conhecimento. Ou seja, é importante não apenas assimilar conceitos, mas também gerar questionamentos, ampliar as idéias.
Uma frase:
“A criança tem um papel ativo em seu aprendizado. Ela constrói conhecimento.”
Palavra-chave:
Estágios do desenvolvimento cognitivo.

Onde está o foco:

No aluno e em suas operações mentais.
Qual é o papel do professor:
Observar o aluno, investigar quais são os seus conhecimentos prévios, seus interesses e, a partir dessa bagagem, procurar apresentar diversos elementos para que o aluno construa seu conhecimento. O professor cria situações para que o aluno chegue ao conhecimento.
Como se aprende:
Experimentando, vivenciando.

Como se introduz um novo conceito:

Para falar em multiplicação, por exemplo, o professor pode apresentar uma seqüência de somas, até que o aluno chegue
ao conceito da multiplicação. Nada de decorar tabuada, como foco da aprendizagem. Ou, para apresentar formas geométricas, o professor dará aos alunos vários materiais, eles farão desenhos e observarão figuras até perceberem o círculo, o quadrado, o triângulo, etc.
Quais são os reflexos na sala de aula:
Há menos interferência do professor, que respeita as fases do aluno e procura corresponder aos seus interesses. As salas têm mais objetos para manusear, mais material, como blocos lógicos, figuras, etc. As correções não acontecem de modo imediato, pois os erros são considerados parte do processo de aprendizagem e o professor não intervém para apontar o erro imediatamente.
Que tipo de indivíduo espera-se formar:
Pessoas com autonomia, que contam consigo mesmas e com sua capacidade de construir saber. Gente que interage com o meio, que tem idéias próprias e é capaz de criar, com uma visão particular do mundo.
SOCIOCONSTRUTIVISMO
Quem foi o pai da idéia:
O psicólogo bielo-russo Lev Vygotsky (1896-1934).

O que diz:

Para Vygotsky, a formação se dá numa relação dialética entre o sujeito e a sociedade – o homem modifica o ambiente e o ambiente modifica o homem. Por exemplo, uma criança pode nascer com condições fisiológicas de falar, mas para desenvolver a fala precisa aprender com os outros. Portanto, o que ele foca é a interação. Segundo Vygotsky, todo aprendizado é necessariamente mediado – e isso torna o papel do ensino e do professor mais ativo do que o previsto por Piaget. O aprendizado não se subordina ao desenvolvimento das estruturas intelectuais da criança, mas um se alimenta do outro, provocando saltos qualitativos de conhecimento. O ensino, para Vygotsky, deve se antecipar ao que o aluno ainda não sabe nem é capaz de aprender sozinho. É a isso que se refere um de seus principais conceitos, o de “zona de
desenvolvimento proximal”, que seria a distância entre o desenvolvimento real da criança e aquilo que ela tem potencial de aprender, ou entre “o ser e o tornar-se”.
Uma frase:
“Na ausência do outro, o homem não se constrói homem.”

Palavra-chave:

Mediação.

Onde está o foco:

Na interação. É na relação aluno-professor e aluno-aluno que se produz conhecimento.
Qual é o papel do professor:
Ele atua como mediador entre o aluno, os conhecimentos que este possui e o mundo.
Como se aprende:
Observando o meio, entrando em contato com o que já foi descoberto e organizando o conhecimento junto com os outros (professor e turma).
Como se introduz um novo conceito:
Se as crianças vão aprender sobre doenças, por exemplo, primeiro o professor as coloca diante de problemas para que os resolvam com o que já sabem e mostra a elas a necessidade de novos saberes, que terão de encontrar de diferentes formas. Então, ele as auxilia nesse processo de busca de novos conhecimentos. Eles podem tanto ir entrevistar um médico (o professor orientará a turma sobre como fazer uma entrevista), como consultar um livro ou a internet.
Quais são os reflexos na sala de aula:
Há mais colaboração e trabalhos em grupo. Parte-se do conhecimento cotidiano para se chegar à produção de conhecimento. O professor propõe tarefas que desafiam os alunos. Erros são considerados parte do aprendizado – eles mostram ao professor como o aluno está raciocinando, mas o professor tenta indagar e fazer com que o aluno perceba
o erro para avançar. Os conteúdos são apresentados por temas: aprende-se sobre escravidão, por exemplo, investigando como ela se deu em vários períodos, e não necessariamente pela ordem cronológica. Utilizam-se, para isso, muitos materiais: reportagens, filmes, etc.

Que tipo de indivíduo espera-se formar:

Pessoas cooperativas, que tenham compromisso com o mundo e com o outro, que saibam tanto expor suas idéias quanto ouvir. Gente que não necessariamente terá um conhecimento enciclopédico, mas que saberá como procurar as informações que lhe fazem falta.

O PAPEL DA AVALIAÇÃO NA ESCOLA

EDUCAÇÃO
Avaliação da aprendizagem Escolar: O papel da avaliação e sua utilização pelo professor na sala de aula
Rose  Carla Mendes 
Considerações Iniciais
Este trabalho busca compreender como a avaliação é utilizada pelo professor na sala de aula para avaliar se aluno aprendeu, o conteúdo, e se este sabe aplicar suas habilidades em circunstâncias em que dele será exigido utilizar todo o seu conhecimento prévio, argumentações em atividades orais e escritas, ou seja, quando as habilidades do educando serão avaliadas. Exemplo disso, a prova, que é tão temida pelos aprendizes e usada muitas vezes como instrumento de autoritarismo pelo educador.
         Outros fatores a ser estudados dizem respeito aos aspectos positivos e negativos da avaliação e o que o erro significa no processo de ensino/aprendizagem do aluno. Para o trânsito dessas questões, a fim de buscar base teórica para desenvolver este estudo. Fez-se necessária uma revisão bibliográfica relacionada ao ensino, a aprendizagem e a avaliação escolar utilizando autores como: Esteban (1999), Luckesi (2006), Ferreira (2004), Werneck (1992)
O ato de ensinar e de aprender está relacionado a realizações de mudanças e aquisições de comportamento, tanto motores, cognitivos, quanto afetivos e sociais. Com base nesses preceitos, a avaliação, ou seja, o ato de avaliar consiste em verificar se estes tais comportamentos estão sendo realmente alcançados no grau exigido pelo professor servindo de suporte para que o aluno progrida na aprendizagem e na construção do saber.
         Com isso, avaliação tem o papel de orientar o aluno a tomar consciência de seus conhecimentos, ter posicionamento crítico e saber se está avançando na superação das dificuldades para continuar progredindo no processo de ensino aprendizagem.
         Existem, ainda hoje, professores que se preocupam em fazer uso da avaliação como instrumento de tortura, pressão e controle do comportamento prendendo-se em respostas “mecânicas” como certo/errado valorizando o “produto” final e não compreendem todo o processo que o aluno chegou para dar aquela resposta.
O professor, então, tendo observado o “mau comportamento” dos alunos, sente-se tentado ameaça-los com a arma poderosa da avaliação, dizendo que irá tirar-lhes pontos, chamará os pais, irá colocá-los para fora da sala, encaminhá-los para a coordenação, etc. Nesta concepção, o mais comum é o professor, não conseguindo motivar o aluno para o trabalho, comece a usar a nota como um instrumento de pressão para obter a disciplina e participação, contribuindo assim, para a sua alienação. (FERREIRA, 2004, p.9).
Para a mesma autora, muitas vezes as avaliações são realizadas como julgamento das capacidades, sem nada a contribuir para o desenvolvimento do educando, não sendo levado em conta, o modo como essa avaliação está sendo feita como, por exemplo: trabalhos avaliativos, provas orais ou escritas de dupla ou individual e saber que cada aluno é diferente no processo de ensino-aprendizagem um do outro.
Outra forma, que a avaliação é utilizada pelo educador é a de uma mera reprodução e repetição dos conteúdos e conhecimentos, assim preocupam-se em vencer os conteúdos programáticos.
A desvalorização por boa parte dos professores dos conhecimentos que os alunos trazem de sua vivência no cotidiano faz com que muitas vezes estes fiquem quase que totalmente desmotivados para a aprendizagem que deles vai ser exigidas pelo currículo escolar. Se o aluno não conseguiu apreender os conhecimentos e competências que a instituição pretendia que ele o fizesse, é classificado como fracassado. (SANTOS, 2007, p.1).
Na maioria das vezes, a avaliação é vista pelos olhos dos alunos como uma promoção e não como parte do processo de ensino-aprendizagem, assim como um castigo, não podendo sair, brincar porque tem prova e pelos olhos da maioria professores um meio de demonstrar a autoridade.
Aspectos Positivos e Negativos da avaliação
Dentro da sala de aula, o termo avaliar está, intimamente relacionado à resolução de provas, exames, resultado de nota, ser aprovado ou reprovado. Em meio a esses fatores, a prova torna-se instrumento característico de todo processo de uma avaliação tradicional, mas pode também ser de muita utilidade para o professor e aluno saberem em que medida o processo de ensino-aprendizagem está útil para a formação do conhecimento do aluno.
Nessa perspectiva, Smole (2008, p.1) nos coloca que “esse instrumento é adequado especialmente quando desejamos avaliar procedimentos específicos, a capacidade de organizar idéias, a clareza da expressão e a possibilidade de apresentar soluções originais”.
Assim, a avaliação tem seu lado positivo e negativo. O primeiro pode ser atribuído ao fato da avaliação admitir uma função de orientadora e cooperativa, sendo assim, realizada de uma forma contínua, cumulativa e ordenada dentro da sala de aula com o objetivo de fazer um diagnóstico da situação de aprendizagem de cada educando, em relação aos conteúdos passados pelo professor, desse modo, verificando se o aluno está progredindo no processo de ensino-aprendizagem.
A avaliação, dessa forma, tem uma função prognostica que avalia os conhecimentos prévios dos alunos, considerada a avaliação de entrada, avaliação de input; uma função diagnóstica, do dia-a-dia , a fim de verificar quem absorveu todos conhecimentos e adquiriu as habilidades previstas nos objetivos estabelecidos. (HAMZE, 2007, p.1).
Por outro lado, a avaliação está voltada com a função de classificação, apresentando o lado negativo, pois o aluno que não alcançou a média fica sob a visão de excluído e fracassado perante os colegas de classe, professores e escola, ocasionando muitas vezes a evasão escolar.
Deacordo com Luckesi (2006), a avaliação que é praticada na escola é sinônimo da avaliação da culpa. As notas são usadas para como índices de classificação de alunos, onde os desempenhos são comparados e não perspectivas que se desejam atingir.
O que significa em termos de avaliação um aluno ter obtido nota 5,0 ou média 5,0? E o que tirou 4,0? O primeiro, na maioria das escolas está aprovado, enquanto o segundo, reprovado. O que o primeiro sabe é considerado suficiente. Suficiente para quê? E o que ele não sabe? O que ele deixou de “saber” não pode ser mais importante do que o que ele “sabe”? E o que o aluno que tirou 4,0 “sabe” não pode ser mais importante do que aquilo que não “sabe”? (SMOLE, 2008, p.1).
         Dentro do contexto da avaliação temos o erro, significando algo que não ocorreu de maneira correta. No entanto, esse erro pode ser útil vindo a ser utilizado como fonte de virtude para aprendizagem escolar, pois tanto para o professor quanto para o aluno ao reconhecerem a origem e a constituição dos seus erros passam a superá-los, tornando assim um “obstáculo vencido” e uma avaliação adequada.
         Luckesi (2006) afirma quando o professor atribui uma atividade a seus alunos e observa que estes não conseguem obter o resultado esperado, o educador deve conversar com seu aluno e verificar o porquê desse erro e como foi cometido. Esse autor ainda ressalta que, na maioria das vezes, é freqüente o aluno dizer que só agora ele percebeu o que era para fazer, ou seja, o erro conscientemente elaborado possibilita o avanço.
         Sintetizando, muito pelo contrário que muitas pessoas pensam (alunos, pais e professores) o erro significa para o processo de ensino-aprendizagem um fator positivo. Esteban (1999) refere-se ao erro um processo de construção de conhecimento e avaliar é estar sempre fazendo questionamentos é questionar-se.
Considerações Finais
O papel da avaliação e sua utilização pelo professor em sala de aula é um grande desafio, pois é através dela, que o ato de ensinar e de aprender vão estar inclusos no processo de ensino-aprendizagem. Nessa concepção, a avaliação é encarada como um aprendizado mútuo, interativo, na qual o professor desafia o aluno na superação dos obstáculos fazendo com que, o aprendiz tome consciência de sua dificuldade e avanço, exemplo disso, é a avaliação dialógica.
Na visão de Hamze (2007) esta avaliação culmina na interação e no sucesso da aprendizagem, pois o diálogo é fundamental, e o professor através dele se comunica de maneira adequada, satisfatória e prazerosa.
Nessa perspectiva, Esteban (1999, p.18), nos coloca que “ao dialogar com o aluno, ainda que brevemente, e ao dispor a aprender com ele, o professor desfaz muros e restabelece laços”. 
         A avaliação deve servir de suporte para ajudar o educando a aprender, e o professor a não somente ensinar, mas acompanhar o desenvolvimento do pensar dos alunos, nas diferentes áreas do saber, contextualizá-las e torná-las significativas, não sendo feita de modo isolado, e sempre buscar com o aluno o aprender a aprender. Dessa forma, ela não deve ser usada como um instrumento de tortura pelos professores, classificatória ocasionando uma exclusão, mas sim aplicada de uma forma bastante clara, na qual o aluno deve saber como ele será avaliado, sintetizando a prova é uma das avaliações mais conhecidas e temidas pelos alunos, portanto, apresenta pontos positivos e negativos no processo de ensino-aprendizagem.
         Para Hoffmann (1993) a avaliação pode ser entendida como uma atividade constante do professor que segue passo a passo o processo de ensino-aprendizagem. Pela avaliação é possível analisar os resultados obtidos pelo aluno, comparando-os aos objetos propostos, verificando os progressos e dificuldades, na qual o professor deve saber que cada aluno possui um modo de aprender diferente e utilizar metodologias adequadas para seus alunos.
         Para que a avaliação não se torne opressiva a prática da auto-avaliação é muito significativa para os alunos, pois eles reconhecem seus pontos fortes e fracos, erros e acertos, responsabilizando-se por suas atitudes e no desenvolvimento crítico. Assim sendo, o erro, nos diferentes tipos de provas propostas pelo educador, sejam elas da auto-avaliação, individual, de consulta, em dupla, entre outras, não deve servir como fator negativo, mas como benefício no processo de aprendizagem, construção do conhecimento.
         O erro, muitas vezes mais que o acerto, revela o que a criança “sabe” colocando este saber numa perspectiva processual, indicando também aquilo que ela “ainda não sabe”, portanto o que ela pode vir, a saber. [...] O erro aporta aspectos significativos para o processo de investigação ao sinalizar que a criança está seguindo trajetos diferentes (originais, criativos, novos, impossíveis?) dos propostos e esperados pelo professor.
         Para finalizar, pode-se definir que a avaliação se constitui de várias questões educacionais, onde sendo mal empregada causa frustrações aos alunos, especialmente quando os professores utilizam-se de práticas classificatórias, onde excluem aqueles que apresentam um baixo rendimento, ocasionando os altos  índices de reprovação e evasão escolar.
         Werneck (1992, p.43) diz que “corrigir uma prova somente pelas respostas inclui uma grande distorção no processo de aprendizagem. Desvaloriza-se uma série de manifestações do saber pelo fato de se nivelar por baixo”.
         A avaliação escolar é muito importante, pois faz com que o aluno assuma poder sobre si mesmo, tenha consciência do que é capaz de melhorar. Desse modo, o professor assumindo uma pedagogia dinâmica deve oferecer ao aprendiz diversos tipos de estratégias que satisfaçam as competências e capacidades e que sejam significativas. Portanto, avaliação deve fazer parte do processo de ensino-aprendizagem, para que professores acompanhem o desenvolvimento dos conhecimentos dos alunos e os mesmos saibam se estão progredindo, interagem um com outro, sancionem dúvidas, para isso a prova não deve ser exigida além do que o professor ensinou, tampouco, ela deve ser menos exigida, como aplicar uma prova “mais fácil”  e não exigir que o aluno pense, mas sim decore.
          Os professores devem ter em mente que para aplicarem uma avaliação devem pensar nas seguintes questões: Que problema (s) o aluno está enfrentando em relação aos conteúdos? Por que não consegui chegar ao resultado esperado?    Qual o método de aprendizagem desenvolvido está de acordo com o que está sendo desenvolvido em aula? E os significados estão sendo significativos para o aluno?      São através desses questionamentos que o professor vai realizar uma avaliação adequada, justa e tomar decisões para aprimorar as práticas educativas e as intervenções em relação ao processo de aprendizagem do aluno. 
Referências Bibliográficas
ESTEBAN, Maria Teresa (Org). Avaliação: uma prática em busca de novos sentidos. Rio de Janeiro: DP&A, 1999.
FERREIRA, Luciana Almeida Severo. Avaliação: os professores sabem seu real significado. Santa Maria, 2004. Dissertação (Especialização em Gestão Educacional) - Centro de Educação. Universidade Federal de Santa Maria, 2004.
HAMZE, Amélia. Avaliação Escolar. Brasil ESCOLA